Para Aristóteles, diferentemente de seu mestre Platão, as essências das coisas devem ser abstraídas das próprias coisas.
Assim, o que se pode abstrair de essencial em vários cavalos, por exemplo, é o “ser cavalo”, pois essa realidade não muda em todos os cavalos que existem – mudam a cor, o tamanho, etc.
Para Aristóteles, tudo que se modifica nas coisas é chamado de acidente.
Assim proponho que vejamos os vazamentos da The Intercept, por Glenn Greenwald, até o momento, sob o ponto de vista aristotélico, isto é, proponho que olhemos para o que é essencial nos vazamentos, e não para o que, pelo menos até o momento, na minha opinião, não passam de meros acidentes.
O site/canal Duplo Expresso vê os vazamentos como factoides que aos poucos frustrarão todas as expectativas neles depositados, mas que criarão o álibi necessário para se possibilitar o fechamento do nosso regime – pois para eles os militares colocarão na conta de uma suposta conspiração russa os vazamentos.
O jornalista Florestan Fernandes afirma que os vazamentos feitos desta forma assim tão “mastigada”, isto é, tão aos pouquinhos (assim entendi), soltando poucos dados por vez, fará diminuir o interesse de todos.
Bem, o Duplo expresso vê conspiração da esquerda contra a esquerda em tudo – então não deixariam de ver conspiração nos vazamentos e em Gleen associadas aos setores progressistas do país. Normal.
Quanto a opinião de Florestan Fernandes, faço alusão agora a Maquiavel, pensador que afirma que uma ação de um governante fica na cabeça do povo por mais tempo se acontecer aos poucos, pois, segundo ele, a memória do povo é curta – é por isso que Maquiavel diz que, se o governante tiver que realizar uma ação impopular, que a tome de uma vez; mas se a ação for de benefício ao povo, deverá tomá-la não de uma vez, mas aos poucos, em partes.
Concordaria com Florestan somente se es revelação fossem irrelevantes – o que sinceramente na minha opinião não o são – muito pelo contrário – são extremamente graves. E é por isso que deve-se focar no essencial dos vazamentos.
E o que seria o essencial nesses vazamentos? Capaz de fazer um contraponto fortíssimo aos ataques da lava jato à democracia que prenderam Lula sem a mínima prova?
Resposta: o fato de ser mostrado em todos os vazamentos até aqui que Moro jamais deixou de ser um com o MPF de Curitiba na lava jato, mas ainda, de Moro ter sido sempre o chefe das ações do MPF de Curitiba, em conluios e armações criminosas fazendo da defesa do réu, no caso Lula o símbolo maior dos crimes cometidos pela lava jato, apenas uma mera formalidade – porque o juiz não era só juiz, era também acusador – o que não é apenas deslize ético cometido por Moro e MPF, mas transgressão às leis, é crime – hediondo por natureza no meu modo de pensar, porque praticado justamente por quem deveria garantir a lei acima de qualquer coisa – o que tem (ou teria?) o poder de enfim libertar Lula das garras sujas de tamanha injustiça e fortalecer, assim, sobremaneira a resistência aos ataques à nossa democracia tão combalida, tão ferida, sangrando tanto...
Esse é o essencial da coisa.
“Provas obtidas ilicitamente”, “quem são os vazadores”, “o crime dos supostos hackers”, “conspirações da esquerda contra a própria esquerda”, "demora nos vazamentos", etc. todas essas realidades são acidentes.
Cabe a cada um de nós, além de qualquer mídia, da grande ou da alternativa, focarmos sempre no que é essencial.
Ps.: Se o futuro mostrar que estou errado hoje, com certeza me retratarei.
AL.