RIO —
Para levar o Rio ao primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb), a prefeitura pretende ampliar de 15% para 35% o número de alunos
matriculados em período único (com sete a oito horas de permanência nas
escolas) até 2016. A primeira medida para atingir a meta será publicada no
Diário Oficial da próxima terça-feira, logo após a posse do prefeito reeleito Eduardo
Paes. Um decreto municipal criará o programa Fábrica de Escolas que terá como
missão construir 277 unidades — Espaços de Desenvolvimento Infantil, Edis, da
creche à pré-escola, e escolas de ensino fundamental — e reformar outras 19
para adequar a rede ao novo plano.
Hoje, já
existem 349 creches (incluindo os Edis, que atendem crianças de seis meses até
5 anos e 11 meses) e 116 escolas de ensino fundamental em período único, com
101 mil crianças atendidas (15%). Em 2013, deverão ser criadas mais 28 mil
vagas. Com os novos prédios, serão quase 100 mil matrículas em período único,
totalizando 228 mil crianças beneficiadas (35% das matrículas da rede).
A
previsão é que as primeiras unidades sejam entregues em janeiro de 2014. Isto
porque as Edis e escolas poderão ser erguidas com estruturas pré-fabricadas em
oito meses. As escolas terão quadras poliesportivas, sistemas de refrigeração e
aproveitamento da água da chuva e da iluminação solar.
Pelos
cálculos da prefeitura, o programa Fábrica de Escolas terá R$ 2 bilhões para
investimentos (cerca de R$ 7 milhões por unidade). Paes diz que o projeto
ajudará a consolidar a proposta iniciada para a área da educação em seu
primeiro mandato.
— Meu
primeiro ato como prefeito, no primeiro mandato, foi acabar com a história da
aprovação automática. Acho que avançamos muito nesse primeiro mandato. Estamos
numa situação hoje em que podemos ousar e dizer que a cidade do Rio pode ser
uma referência em escala na questão do turno único.
Experiência
bem-sucedida no exterior
A
secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, avalia que a implantação do
turno único terá impacto na avaliação do Rio no Ideb. Segundo ela, os 15
primeiros países na prova do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa,
na sigla em inglês) adotam o turno de até oito horas nas escolas. Costin
explicou que os alunos terão aulas durante as sete ou oito horas que
permanecerem nas unidades:
— Nós
conseguimos um aumento no Ideb muito importante. No caso do ensino fundamental
dos anos finais, tivemos um aumento de 22% na nota. Para colocar o Rio em
primeiro lugar ou perto dos primeiros lugares, não dá mais para fazer o que já
fazemos, que é ter um currículo único, provas bimestrais. Nenhum país entre os
15 primeiros no Pisa adota quatro horas e meia de ensino, como é o caso do Rio.
No Ideb
2011, o município do Rio obteve nota 5,4 nos anos iniciais (1º ao 5º) — ficando
em quarto entre as capitais. Florianópolis teve a melhor nota (6), seguida de
Curitiba, Palmas, Campo Grande, todas com 5,8, e Belo Horizonte, com 5,6. Nos
anos finais (6º ao 9º), o Rio obteve nota 4,4 — e a quinta posição entre as
capitais. A primeira é de Campo Grande, com 5.
O
programa Fábrica de Escolas é uma referência ao projeto de mesmo nome dos anos
80, pelo então governador Leonel Brizola e seu vice Darcy Ribeiro, e que também
tinha a missão de expandir a rede pública, ampliando o número de horas das
crianças nos colégios. Mas Costin diz que o modelo atual, criado após um estudo
sobre as demandas dos bairros, é mais ousado:
— O
conceito criado com a Fábrica de Escolas está na história da educação do Rio,
por isso essa referência. A lógica de Darcy Ribeiro era que as crianças
tivessem tudo de que precisassem dentro das escolas, porque eram crianças
excluídas. De manhã, elas tinham aulas, e à tarde, oficinas. Esse conceito, na
forma como foi desenvolvido, nós usamos nas Escolas do Amanhã. Agora, a ideia é
ainda mais ousada, porque, do 1º ao 5º ano, teremos sete horas de aulas, como
fazem os países mais desenvolvidos.
Especialista
acha meta pouco ambiciosa
Para
Míriam Paura, professora da Faculdade de Educação da Uerj, a ampliação do
número de alunos matriculados no turno único é bem-vinda. Mas ela lembra a
necessidade da aplicação de um projeto pedagógico com foco não apenas no
aprendizado, mas também na formação:
— Acho a
meta ambiciosa e estou de acordo com a medida. Espero que a prefeitura a
cumpra, mas espero também que, no tempo em que as crianças permaneçam nas
escolas, elas tenham a oportunidade de aprender e ter uma formação. Para isso,
é necessário ter professores qualificados e materiais pedagógicos.
Doutora
em educação e ex-secretária municipal de Educação (1993-1996), Regina de Assis
acha que, antes de as obras, seria preciso ocupar os espaços ociosos da rede:
— Acho a
meta de elevar para 35% tímida. Se você considerar que hoje são 1.423 creches e
escolas, estamos falando de uma expansão de cerca de 19% em quatro anos. Se
planejam construir unidades de período único, acho que o primeiro passo seria
fazer um diagnóstico preciso da rede, porque há escolas que não têm ocupação de
100%. Essas unidades precisam ser utilizadas, para não desperdiçarmos dinheiro.
Ao
assumir, em 2009, Paes acabou com a aprovação automática, uma das promessas de
campanha. Mas outras na área da educação não foram cumpridas ou o foram
parcialmente. Ele tinha como meta triplicar o número de crianças nas creches e
oferecer 160 mil vagas na pré-escola. Em setembro, O GLOBO constatou que as
duas promessas não foram cumpridas. Paes discordou. Na sua primeira gestão,
Paes construiu 13 escolas de ensino fundamental e cem Edis. Em quatro anos, a
prefeitura reformou 19 escolas e reconstruiu 15. A rede conta hoje com 1.423
unidades, sendo 1.074 escolas, 100 Edis e 249 creches antigas.
E aqui em nossa cidade? Quais são as propostas do nosso prefeito?
Espero respostas e passo adiante para interessados.
#CAXIAS QUER SABER/EDUCAÇÃO
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