Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Faculdade de Educação da Baixada Fluminense
Professora:
Aluna: Dayse Alves Turma:5 1º
período
Disciplina: Perspectiva Histórica das Ideias e Práticas Pedagógicas 1
ENSAIO SOBRE “ A ARQUEOLOGIA DO SABER” DE FOUCAULT.
Apresentação
A partir de um esforço notável do autor
no sentido de reestabelecer as bases sólidas para a investigação científica e
uma revisão conceitual que enfatizem a natureza recorrente da história
epistemológica,somos levados a conclusão de que não temos nada mais o que
esperar de um falso conhecimento
objetivo,nem das ilusões da subjetividade pura,mas tudo o que aprender e
compreender de uma arqueologia das práticas(a medicina,a biologia ou a economia
política,que fizeram de nós aquilo que somos,necessitam ser analisadas
criticamente no propósito de elucidar conhecimentos “esquecidos” ou
negligenciados.
As
ciências humanas segundo o autor ”são mais do que saber-elas são uma
prática,elas são instituições...”Assim,pode-se imaginar que não haverão
análises que se justifiquem por si só e que não deixem lacunas pra novas
narrativas e reflexões.Com uma valoroza lição sobre a construção do saber no
ocidente afirma:”nessas disciplinas que,apesar de seu título,escapam em grande
parte,ao trabalho do historiador e a seus métodos, a atenção se deslocou,ao
contrário,das vastas unidades descritas como “épocas” ou “séculos para
fenômenos de ruptura.Sob as grandes continuidades do pensamento, sob as
manifestações maciças e homogêneas de um espírito ou de uma mentalidade
coletiva, sob o devir que luta apaixonadamente por existir e por
se aperfeiçoar desde o seu começo,sobe a persistência de um gênero,de uma
forma,de uma disciplina,de uma atividade teórica,procura-se agora detectar a
incidência das interrupções,cuja posição e natureza são,aliás, bastante
diversas.”(p.4)
Assim,diante das diversas
possibilidades históricas as quais o autor analisa,demonstra em seu discurso a
motivação de continuar fiel a si mesmo e as suas convicções quando afirma:” em
suma,a história do pensamento,dos conhecimentos,da filosofia,da
literatura,parece multiplicar as rupturas e buscar todas as perturbações da
continuidade,enquanto que a história propriamente dita,a história pura e
simplesmente,parece apagar,em benefício das estruturas fixas,a irrupção dos
acontecimentos.”(p.6)
Em uma época de transformações e
experimentações Foucault,com sua análise clara e objetiva,valoriza a busca
incansável e prazerosa pelo conhecimento e sugere uma visão crítica e reflexiva
sobre a história,comparando-a com a arqueologia no sentido de voltar-se para a
descrição intrínseca do monumento.
Ao
analisarmos essa obra valoroza,buscaremos mecanismos para uma exposição de
idéias que relatem ou discutam fatos ocorridos no passado que nos influenciaram
e moldaram de certa forma.
Desenvolvimento
Nas leituras sobre história,notamos
que podemos percorrer diversos,caminhos,experiências e em sua maioria de
eventos haverão “histórias “ a mais para serem contadas ou recontadas.”O
aparecimento dos períodos longos na história de hoje não é o retorno às
filosofias da história,às grandes eras do mundo,ou às fases prescritas pelo
destino das civilizações;é o efeito da elaboração,metodologicamente
organizada,das séries.Ora,na história das idéias,do pensamento e das ciências,
a mesma mutação provocou um efeito inverso:dissociou a longa série constituída
pelo progresso da consciência, ou a teologia da razão,ou a evolução do
pensamento humano; pôs a questão,novamente,os temas da convergência e da
realização;colocou em dúvida as possibilidades da totalização.”(p.9) Assim,a
análise requer atenção quanto seus objetivos e aspirações.
Foucault observa também, que a
descontinuidade tida como estigma da dispersão temporal que o historiador
encarregava de suprimir da história ,é hoje aceita como um dos elementos
fundamentais da análise histórica.Ela é enfim,o conceito que o trabalho não
deixa de especificar.Ainda em suas observações ,afirma que um dos traços mais
essenciais da história nova é,sem dúvida,esse deslocamento do descontínuo sua
passagem do obstáculo à prática;sua interação no discurso do historiador,no
qual não desempenha mais um papel de uma fatalidade exterior que é preciso
reduzir,e sim um conceito operatório que se utiliza.
Os
temas globais tem dado lugar aos assuntos multiculturais onde valorizam
a vida,costumes,filosofia e história de grupos antes marginalizados que hoje
vem demonstrando terem também “o que “ contar sobre sua história.
A história da África sob a perspectiva
dos indivíduos que dela originam, é um dos recentes exemplos de valorização de
histórias que no passado foram “deixadas de lado”,por grande parte dos livros
didáticos em nosso país.Mas, a partir da lei:
|
Altera a Lei
no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da
Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura
Afro-Brasileira", e dá outras providências.
|
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e
eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro
de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:
"Art.
26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e
particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura
Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo
programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da
História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura
negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a
contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à
História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos
referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de
todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de
Literatura e História Brasileiras.
Assim,afirmamos a
importância de uma análise com base interior sólida e a promessa de boas
leituras.A liberdade que possuímos de pensar globalmente e o local,pode ser
melhor utilizada a partir do que o autor chama de uma deliberação do
historiador,inicialmente e também o resultado
de sua descrição,pois,ele se dispõe a descobrir os limites de um
processo,o ponto de inflexão de uma curva,a invasão de um movimento, etc
,permitir o benefício da valorização da individualidade das sociedades
existentes,o respeito as diferenças e objetivo de uma educação humanista e
emancipadora.
Conclusão
Vivemos um momento de explosão
literária,onde os meios tecnológicos que estão por toda parte nos grandes
centros urbanos,permitem o acesso a diversos conhecimentos e informações que
influenciam,amedrontam,confundem,elucidam, conseguem a atenção de alguns
indivíduos que interpretam ou apenas recebem o conteúdo sem questionar ou
analisar e o reproduzem.A tarefa de ensinar história demonstra ser um desafio
que necessita constantemente se reinventar à didática,experimentar e realizar
suas demonstrações de maneira contextualizadas e úteis para a vida da sociedade pós-moderna da qual
fazemos parte.
Como futuros profissionais da
educação antes de tudo seres históricos, acreditamos na importa de uma educação
que busque o caminho da reflexão,o diálogo,o respeito e a ética na formação
escolar e após o seu término.
Concordamos com Foucault quando
analisa “O perigo ,em suma, é que um lugar de dar fundamento ao que já existe,em
lugar de reforçar com traços cheios linhas esboçadas,em lugar de nos
tranqüilizarmos com esse retorno e essa confirmação final,em lugar de completar
esse círculo feliz que anuncia,finalmente,após mil ardis e igual número de
incertezas,que tudo se salvou,sejamos obrigados a continuar fora das paisagens
familiares,longe das garantias a que estamos habituados,em terreno ainda não
esquadrinhado e na direção de um final que não é fácil prever.O que,até então,
velava pela seguranças do historiador e o acompanhava te o crepúsculo(o destino
da racionalidade e teleologia das ciências, o longo trabalho contínuo do
pensamento através do tempo,o despertar e o progresso da consciência, sua
perpétua retomada por si mesma, o movimento inacabado mas ininterrupto das
totalizações,o retorno a uma origem sempre aberta e, finalmente, a temática
histórico-transcendental), tudo isso não corre o risco de desaparecer,liberando
à análise um espaço branco,indiferente,sem interioridade nem promessa?”(págs.44
e 45 ).
Fonte:
Foucault-Michel-
A Arqueologia do Saber,1969.6ª edição-2008.Editora Forense.
Bauman-Zigmunt-O
Mal-Estar Da Pós-Modernidade,1998.Editora Zahar.
Acesso
em 10/06/2012 às 18h e 22 min.
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